sábado, 28 de novembro de 2009

SEU MAR

SE CHOVER PRAZER
VAI MOLHAR VOCÊ
QUANDO ACONTECER
DE QUERER SE EXPOR

VAI QUERER CORRER
AO SENTIR ESCORRER
TODA GOTA SÃ
DO MEU GRANDE AMOR

ENTÃO PRA QUE EVITAR
SE O QUE CAI DO CÉU É PRA NOS MOSTRAR
QUE SE VOCÊ CHOVER
EU VIRO SÓ SEU MAR

sábado, 21 de novembro de 2009

O Trabalho do Poeta

O papel da poesia não é “falar” o inefável, e sim, silenciar o “dizível”. (Roland Barthes) ou A poesia ilumina o lugar comum de tal maneira que esse lugar comum vai surpreender em toda sua novidade, seu frescor, em seu vigor primordial. Esse é o trabalho do poeta. (Jean Cocteau – Surrealismo Francês).

domingo, 8 de novembro de 2009

PESQUISA

UM ESTUDO SOBRE O LIVRO:
BAKHTIN, Dialogismo e Construção de Sentido.


“De cada lugar procede uma única visão existencial; mas, na existência, os indivíduos nunca estão sozinhos.” Irene Machado


Síntese do Texto Os Gêneros e o Corpo do Acabamento Estético, da Professora Irene A. Machado, localizado na Parte III intitulada Bakhtin, Gêneros do Discurso e Dialogismo.(p.141)

Dedicamo-nos a leitura de “Bakhtin, Dialogismo e Construção do Sentido” procurando relacionar os artigos nele publicados ao nosso objeto de pesquisa e inquietação científica. Encontrar, portanto, elementos teóricos defendidos pelo lingüista que respaldassem nossa perspectiva de dialogismo, intertextualidade e semiótica impregnados na obra “Orfeu da Conceição” de Vinícius de Moraes, foi, sem dúvida nossa intenção maior.
Desta feita, chamou-nos atenção o artigo científico da Professora Irene Machado (Os gêneros e o corpo do acabamento estético) que relaciona pontos importantes para nossa pesquisa, como por exemplo, O olhar extraposto (1997, p.141)
Observar as manifestações culturais, observar o mundo das perspectivas artísticas de maneira ampla, com olhar extraposto; possibilita a percepção real de como múltiplos signos se manifestam em conjunto harmonioso com o todo. Para Bakhtin, lembra a Professora, “signo é tudo aquilo que significa” (1997 p.141). Entretanto, “nenhuma significação surge do nada, e sim, do processo das complexas relações de um signo com outro” (1997 p.141). Assim se constrói a significação completa, da perfeita sintonia entre a poesia, a música e o texto de “Orfeu da Conceição”. Uma significação montada na “múltipla focalização” (1997, p.141) destas relações estéticas co-irmãs. Como se Vinícius tivesse extrapolado no desejo de trabalhar em uníssono com os elementos artísticos da obra, conhecendo o poder e as possibilidades de cada um em se auto-relacionar.
O conceito de “olhar extraposto” defendido por Bakhtin e citado no início do artigo por Machado define sim, uma das possibilidades enxergadas (signo, linguagem e idéia) por Vinícius de Mores para “Orfeu da Conceição”. “Sem olhar extraposto - defende a teórica - é impossível falar em dialogia” (1997, p.142)
Em seguida, Machado apresenta as noções de texto segundo Bakhtin e suas relações com gêneros. O conceito de gênero, de acordo a abordagem dialógica de Bakhtin, “é instância de criação e acabamento do objeto estético” (1997 p.143). Por isso, acabamento e criação são temas fundamentais da estética geral através dos quais Bakhtin formulou o dialogismo. “O gênero organiza a manifestação e promove seu acabamento” (1997 p.143). Neste trecho da citação percebemos o qual funcional é a utilização de gêneros distintos na obra por nós pesquisada. Em “Orfeu da Conceição” o uso de sonetos, que retomam o modelo de escrita clássica em consonância com elementos populares, contemporâneos, parece promover o acabamento estético que defende Bakhtin no momento de seu uso. As relações melódicas do gênero musical costuram as relações marginais do texto teatral e, desta maneira, o acabamento estético vai se desenhando na relação estreita entre os gêneros presentes na obra.
Prosseguindo, a teórica apresenta a noção de “Inacabamento” (1997, p.144) bakhtiniana. Definição lingüística para o fenômeno das múltiplas interpretações dos escritos ditos (exatamente por essas múltiplas possibilidades interpretativas) inacabados. Para isso, argumenta Machado, “é preciso se introduzir num dos exercícios preliminares do dialogismo, que é a compreensão. Para tentar entender um autor que parecia escrever, não para um leitor, mas para
si próprio” (1997, p.144). A frase final de um texto de Bakhtin é sempre um campo aberto para a reflexão.
No âmbito desta compreensão, Bakhtin defende que no estudo do homem se encontra signos em toda parte e de toda sorte a espera de construção de uma significação¹. Por isso o estudo do Inacabamento, para se tentar entender o homem, seus signos, suas visões e seus produtos de produção. “A própria definição de dialogismo como visão de mundo está longe de se limitar a uma única focalização” (1997 p.145). Esta afirmação amarra o Olhar Extraposto que citamos no início com a necessidade de se estudar o inacabado exposto por Machado. Neste momento destacamos trecho do artigo que nos direcionou com mais efervescência ao objeto de nossa pesquisa:

[...] o dialogismo pode ser focalizado como uma manifestação de oralidade, de onde Bakhtin derivou seu conceito de Polifonia. Assim, o que define a dialogia é menos a oposição imediata ao monologismo e sim o confronto das entoações e dos sistemas de valores que posicionam as mais variadas visões de mundo dentro de um campo de visão.”(Beth Briant, 1997, p.145)

Sem dúvida, uma passagem que se filia ao estudo semiótico que investigamos na obra de Vinícius de Mores. Esta alusão a Polifonia é de uma relevância ímpar na construção de nosso Projeto.
O estudo do “Inacabamento” (1997, p.144) segue com exemplos apresentados pela Professora, de textos de Bakhtin que sugerem outras possibilidades interpretativas. O tom provocativo destes textos é mencionado, bem como a polêmica interna que eles apresentam.
As noções de “Acabamento” (1997, p.150) vêm a seguir. A Professora destaca a preocupação em Bakhtin com a finalização do todo estético através das relações entre as partes. Ela explica que é na literatura (na prosa literária) que Bakhtin “encontra elementos para dar uma imagem precisa a suas formulações” (1997 p.151). E exemplifica as relações de acabamento entre autor e personagem:

Uma pessoa só vê aquilo que está fora dos limites da visão do outro. Assim, os pontos de vistas simultâneos se completam na formação do todo, o evento dialógico. A composição estética é determinada pela relação dialógica entre as visões complementares, não pela vivência em si, embora o referencial seja a vivência (1997, p.151)


É mais uma importante observação no texto de Irene Machado que fortalece nossas impressões sobre a convivência harmoniosa dos elementos estéticos que pretendemos pesquisar em “Orfeu da Conceição”. A Professora desenvolve então o sub-título “O gênero como forma de acabamento do corpo estético” (1997, p.153) e se detém, a partir daí, nas relações teóricas de Bakhtin especificamente com o romance. Romance como lugar das experimentações. Como alternativa de observação de alguns dos princípios bakhtinianos. Onde o autor encontra elementos para dar uma imagem precisa a suas formulações.
Foi na verdade, o primeiro artigo, dentre tantos que compõem o livro em estudo, que pudemos, sistematicamente, associar com nosso trabalho de pesquisa. Um trabalho minucioso, que tem em nós a paciência, o respeito e a paixão que devem ser atribuídos a todo caso de amor e compromisso com a pesquisa científica.


Glauco Cunha Cazé


¹ grifo nosso para uma máxima de Bakhtin

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ela...

Ela, bela menina,
Naquela cela cristalina,
Que prende, cerceia, limita,
Não sabe se vai, recua ou se fica!

Ela, bela menina,
Que tantos amores desperta,
Esperta, em sua inocência,
Essência maior de prazer!

Ela, bela menina,
Que invade minha conectividade,
Sabor de sorvete de nada (!)
Angústia com hora marcada.

Sela, bela menina,
Sela pra ver,
Com quantas palavras bonitas,
Eu conquisto você!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Verdades...

...
A explosão de uma verdade revigora.
Sensação de fluidez...
Leveza!
...
Borboleta rasgando casulo; flor anunciando primavera; rio em curso normal... Ainda que incomode, machuque, afaste, surpreenda. Ainda que escandalize!
A verdade revigora!
Sempre!
...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

ODE AO DESCONHECIDO

Caiu. Numa lógica física incontestável, o corpo inerte, desprovido de alma, encontrou o chão. Um lance rápido e certeiro. Como última parada antes do inevitável, cabeça no meio-fio, corte não tão profundo e o encontro gravitacional da matéria com o solo.
Devia ter mais de setenta anos, cabelos em neve, roupa bem passada, sapatos novos. Prováveis presentes recebidos na recente passagem do dia dos pais. Um cidadão contemplação. Contemplava, caminhando, as ruas do bairro e passou a ser contemplado no pós-queda. Gente de todos os lados cercava o corpo alinhado, tal qual o meio-fio, que, testemunha primeira, seguia seu caminho ligando ruas e becos a um destino, desta feita, ignorado.
Não havia mais pressa. Enquanto uns transeuntes ainda acionavam socorro profissional, outros conjecturavam sobre as hipóteses do óbito ululante. A palidez corporal se avizinhava numa rapidez mórbida e a contração de suas mãos, cujos dedos apontavam para o interior das palmas, dava as primeiras pistas sobre o repentino passamento.
Família não apareceu. Nenhum conhecido. Ninguém que pudesse dar referências ou mencionar os indefectíveis adjetivos atribuídos as pessoas que “passam dessa para uma melhor”. Só a desconhecida multidão que se espremia para ver os cabelinhos brancos esvoaçados pelo vento, o pouco sangue escorrendo na testa ofendida e a palidez que, desta vez, chegara imperiosa.
Se ainda tinha sonhos deixou-os no paralelepípedo da rua antes deserta. Nem se despediu do sol que exausto concluía seu turno diário deste lado da terra, lançando os últimos e coloridos raios da chamada “hora mágica”. É possível que nunca tenha parado para pensar ou falar na morte. É difícil para qualquer um. Principalmente sobre esta possibilidade de encontro repentino com esta persona non grata.
É tarde. Não há mais tempo. O desconhecido continuou desconhecido e segui meu caminho com uma sensação de vazio, deixando para trás a multidão que parecia já conformada com os inevitáveis finitos da vida. Ainda olhei outra vez por sobre o ombro e meus olhos procuraram o corpo morto do velhinho até então indigente. Pensei na morte e dei de cara com a vida; com a minha vida. Porque eu ainda estava vivo. Continuava andando, respirando e tocando a minha vidinha mais ou menos.
De repente me deu uma vontade louca de ligar para os meus pais, aquele amigo antigo, a professora do fundamental, o mecânico da oficina... Vontade de correr e sorrir, de abraçar meu filho, de adiantar projetos, de falar da lua que crescia curiosa na minha frente... Vontade de dançar, de escrever, de me perpetuar; vontade de exceder sem me preocupar com revisão por quilometragem.
Não sei se meu desconhecido velhinho teve tempo e condição suficientes para extravasar. Não sei de sua vida, de suas dores, amores e compaixões; de suas raivas, desilusões, decepções; de suas alegrias e conquistas. Sei de seu momento final, de sua provável dor e da marca de seu sangue vermelho escuro. Tudo isso porque ele não falou; ele simplesmente caiu!


Glauco Cunha Cazé

domingo, 2 de agosto de 2009

SIMULADO ENEM 2009

O INEP divulgou no último dia 30 de julho o Simulado Enem 2009. Acesse as questões pelo link:
www.inep.gov.br